2º Dia do Seminário Jovens do Amor Maior: Beato Pier Giorgio Frassati – GADE SP 24/09/11

HISTÓRIA:

Filho de Alfredo Frassati e Adelaide Ametis, família abastada, dona do jornal La Stampa. Tendo vivido entre 1918 e 1922 em Berlim, onde o seu pai foi embaixador de Itália, Pier Giorgio viveu sobretudo no Piemonte, na cidade de Turim.

Pier-Giorgio era profundamente anti-fascista, chegando a envolver-se em confrontos físicos com adeptos do Partido Social Fascista de Benito Mussolini. Quando aquele dirigente assumiu o poder, em 1922, o seu pai demitiu-se de embaixador e regressou a Itália com a família. Em 1921 Pier Giorgio inscreveu-se no Partido Popular italiano (Partito Popolare Italiano), dirigido por Luigi Sturzo que se reclamava das ideias da Democracia Cristã.

Dedicou-se desde muito novo a várias obras sociais, de caridade e religiosas. Envolveu-se no seio de vários grupos católicos de juventude, como o Apostolado da Oração e a Sociedade de São Vicente de Paulo, sendo igualmente membro da Ordem Terceira de São Domingos. Uma da suas máximas de vida era: “A Caridade não é suficiente: precisamos de reformas sociais”. Foi um dos fundadores do jornal «Momento», baseado nos ensinamentos sociais do Papa Leão XIII explanados na sua encíclica Rerum Novarum. Estudante de Engenharia Industrial Mecânica na Escola Real Politécnica, entre 1918 e 1925, pretendia vir a dedicar-se integralmente aos mineiros, que ele via como uma das classes profissionais mais sofredoras, seja em termos de dureza profissional, fosse em termos sociais.

Era um desportista, praticando diversas modalidades entre as quais se destacava o montanhismo, mediante o qual aproveitava para se isolar, rezar e reflectir na solidão das montanhas.

Frassati morreu em 1925 de poliomelite e milhares de pessoas participaram no seu funeral. Encontra-se enterrado na Catedral de Turim.

Foi chamado de Homem das oito beatitudes pelo papa João Paulo II, que o nomeou Patrono dos Desportistas e o beatificou a 20 de Maio de 1990.

Os que pensam que os santos são pessoas tímidas e solitárias, que depreciam esta vida só pensando na outra, ficarão surpreendidos diante da figura do beato Pier Giorgio Frassati. Verdadeiro brincalhão, apelidado de “Robespierre” por seus amigos, com quem formou a associação denominada “I tipi loschi” – os tipos arruaceiros. Frassati foi um amigo dos pobres e via neles o Cristo. São especialmente os jovens, que em sua busca por um modelo, encontram alguém com quem se identificar, já que Pier Giorgio fez de sua curta vida uma “aventura maravilhosa”.

Ele amou os pobres e humilhados; ele dedicou a sua vida a fazer-lhes bem. Ele os procurou nos cantos mais distantes da cidade, passando por escuros e tortuosos caminhos, foi para dentro da obscuridade e da miserabilidade dos atos alheios, trazendo consigo o pão que restaurava seus corpos e a palavra que confortava as suas almas. Tudo partindo de seu bolso e de seu coração foi destinado aos outros. Ele nasceu para os outros e não para si próprio. Ele foi de fato, um verdadeiro cristão.

Sua festa religiosa é a 4 de julho.

SER SANTO SEM DEIXAR DE SER JOVEM

Se você ainda continua com a ideia de que os santos eram pessoas tímidas, de fala mansa, que de tanto se curvarem ficaram corcundas, que andavam sempre com hábitos, batinas os véus, que não curtiam a vida e fugiam de todas as coisas deste “mundo”. Esse pensamento mudará após conhecer o beato Pier Giorgio Frassati.

Eu também pensava assim. Olhava para os santos, gostava da ideia, mas me sentia muito longe deles. Achava tudo muito difícil, algo realmente distante da minha realidade. Santos como São Francisco, Santa Rita, São Padre Pio… me chamavam a atenção, mas não me sentia capaz de tantas penitências e tantas renúncias. E, assim, só ficava na intercessão.

Em 2008, tive o grande privilégio de realizar um sonho: participar da Jornada Mundial da Juventude, que aconteceu em Sydney, na Austrália. O mais marcante nessa visita foi encontrar o corpo do beato Pier Giorgio. Havia fotos dele e banners que contavam a história de sua vida espalhados por toda a igreja. E cada banner que eu via crescia em mim a vontade de ser santo. Era como se meu coração pulsasse assim: “É possível”. As fotos mostram-no com a galera, na faculdade, acampando, praticando alpinismo. Todas elas apresentavam uma frase de sua autoria, e cada frase revelava seu firme propósito de ser santo sem deixar de ser jovem.

Depois de andar pelo corredor central da catedral e ficar mexido com tudo o que via, segui por um corredor e deparei com uma urna, na qual estava escrito: “The body of blessed Pier Giorgio Frassati”. Meu inglês não foi o suficiente para traduzir o que minha alma lia naquele corpo santo que estava à minha frente. Tive forças apenas para me ajoelhar e fazer um único pedido: “Que eu seja santo como você”. Em mim vibrava a possibilidade de ser santo do meu jeito, com meus gostos e estilos. Aquela era a prova concreta de que a santidade é possível; a prova de que Deus não tira nada, mas dá tudo. Tive ali um encontro com Deus e com Sua santidade por meio de Pier Giorgio Frassati.

Pier Giorgio me fez entender que posso ser santo do meu jeito, se, em cada ação minha, mostrar que sou de Deus. Isso mudou a imagem que eu tinha dos santos e comecei a vê-los com outros olhos. Hoje entendo que Deus me chama para uma santidade cotidiana. Santidade feita do ordinário que, cheio do poder de Deus, torna-se extraordinário.

Convido-o para fazer também uma experiência com o beato Pier Giorgio. Peça a Deus a graça da santidade feita no seu tempo, no seu espaço. Peça a Deus a santidade do dia a dia.

Adriano Gonçalves

FRASES DE PIER GIORGIO FRASSATI E TESTEMUNHOS:

“Verso l’alto” – “Em direção ao Alto”

“Eu te peço pra rezar um pouco por mim, para que Deus me dê uma vontade férrea, para que eu não desfaleça frente aos seus projetos”.

“Jesus vem a mim a cada manhã na Santa Comunhão e eu O retribuo de uma maneira pequena visitando os pobres” (disse Pedro Jorge a um amigo)

“Ele testemunha que a santidade é possível para todos…Esforçai-vos para conhecê-lo! Eu confio vosso compromisso missionário a ele” (João Paulo II)

“Se meus estudos permitirem, quero passar dias inteiros nas montanhas, contemplando naquele ar puro a grandiosidade do Criador” (carta a Marco Beltramo, 6 de agosto de 1923)

“Impressionada, as pessoas viam esse jovem nas ruas de Turim ajudando os pobres a procurar uma casa; puxando carroças cheias com seus pertences”.

Quando um amigo o perguntou como ele podia agüentar os odores e a sujeira das favelas, ele respondeu: “Nunca esqueça que mesmo sendo a casa miserável, você está se aproximando de Cristo. Em meio aos doentes e desafortunados, vejo uma luz peculiar, uma luz que não temos.”

“Viver sem uma fé, sem um patrimônio para defender, sem um esforço constante, pela verdade, não é viver mas somente existir.”

“Não são aqueles que sofrem violências que devem temer, mas aqueles que as praticam. Quando Deus está convosco, nós não precisamos ter medo.”

“A fé dada a mim no batismo me sugere com uma voz segura: Por suas próprias forças, você nunca fará nada, mas se você tiver Deus como centro de suas ações, então sim, você alcançará o objetivo.” (carta a I. Bonini,, 15 de janeiro de 1925)

“Na oração a alma se eleva acima da tristeza da vida.” (uma dedicação em um livro dado por Pedro Jorge a um amigo)

“Quanto mais alto formos, melhor nós ouviremos a voz de Cristo.”

“Nós costumávamos visitar os leprosos do Hospital de São Lázaro – nos deparamos com um jovem, 20 anos, cuja face estava destroçada pela lepra…temos o dever de colocar nossa saúde a serviços daqueles que não a tem; pois agir de outra forma seria trair o dom de Deus e de Sua bondade.” (T. Vigna, amiga de Pedro Jorge)

“Eu não hesitaria em dizer que o segredo da perfeição espiritual de Pedro Jorge deve ser encontrado em sua devoção a Maria…Nunca se passou um dia sem que ele estivesse aos pés de sua Mãe celestial com seu terço, sua oração favorita, entrelaçado em seus dedos…” (Marco Beltramo, amigo de Pedro Jorge)

“Eu suplico a vocês com toda a força da minha alma que se aproximem da Mesa Eucarística tanto quanto possível” (Aos jovens católicos de Pollone, 1923)

“Eu também amei assim” (Pedro Jorge sofreu por não ter conseguido concretizar seu amor por uma garota em particular e teve que entregar isso a Deus)

“E peço que reze para que Deus me dê a força cristã para suportar tudo isso serenamente e que Ele a dê toda alegria terrena e a força para finalmente alcançar o fim para o qual fomos criados.” (de uma carta a I. Bonini, 28 de dezembro de 1924)

“Na vida terrena, depois dos pais e das irmãs, uma das mais bonitas formas de afeição é a amizade.” (carta a I. Bonini, 10 de abril de 1925)

“Você me pergunta se eu sou feliz. Como não poderia ser, enquanto minha fé me der força…pois o sofrimento é algo bem diferente da tristeza, que é a pior doença de todas. É quase sempre causada pela falta de fé”. (Carta à sua irmã Luciana, 14 de fevereiro de 1925)

“A glória de Deus é o homem completamente vivo” (Santo Irineu. Adv. Haeres 4, 20)

Luciana Frassati se recorda que, nas útimas horas de sua vida, Pedro Jorge “mal conseguia falar, mas um traço de vida permanecia em seus olhos, que estavam fixos na face de Nossa Senhora.”

“O dia de minha morte será o dia mais bonito da minha vida.” (falado rotineiramente por Pedro Jorge)

“o melhor homem do mundo está morto” (do diário de Alberto Falcheti um menbro italiano do parlamento quando Pedro Jorge morreu)

“Oração e contemplação, silêncio e recepção dos sacramentos deram o tom e a substância para seus variados apostolados; e sua vida, animada pelo espírito de Deus, é transformada em uma aventura maravilhosa.” (Papa João Paulo II – Roma, 20 de maio de 1990)

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Uma resposta a 2º Dia do Seminário Jovens do Amor Maior: Beato Pier Giorgio Frassati – GADE SP 24/09/11

  1. Sandra Capobianco disse:

    Meus queridos jovens
    Vocês estão de parabéns!
    O mundo tem sede de jovens que buscam a santidade e não tem medo de ser “sal na massa”. Amo vocês.

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